• Suellen Gonçalves

Diferença entre fome e apetite




O ciclo alimentar fisiológico é uma sequencia de quatro etapas:

Fome - ingestão - saciedade - abstinência

Normalmente, a sensação de fome impulsiona a busca e a seleção do alimento e da conduta da ingestão. Uma vez iniciada a ingestão, prossegue-se com ela ate a percepção da saciedade. Quando a sensação de saciedade é atingida, deve-se deter a ingestão e manter uma conduta de abstinência ate o reaparecimento da fome.


Fome é a sensação fisiológica que impulsiona a busca e a ingestão de alimento. A percepção da fome determina quando é necessário comer. A fome estomacal ou real é compreendida como uma sensação de estômago vazio. Às vezes, na parte superior do abdome são sentidas contorções. Costuma ser acompanhada de alguns ruídos hidroaéreos característicos, como grunhidos, provenientes da contração e da distensão do antro gástrico. É a “linguagem do estômago” que aprendemos a perceber, decifrar e compreender.


Quando a fome é muito intensa, é produzida uma sensação dolorosa no epigástrio, que corresponde à contração de todo o estômago. Outras vezes, pode-se perceber a fome como uma sensação de lassitude, decaimento ou falta de forca muscular, que é conhecida como languidez. Cada individuo percebe a fome de modo peculiar e pessoal.


Para adquirir destreza na percepção da fome, apenas é necessário abster-se de comer por algumas horas e esperar que ela apareça.

A sensação de fome é cíclica, com acessos e recessos. Se não comermos de imediato, a fome cessa; porém, ela reaparece mais tarde e, a cada acesso, será um pouco mais intensa.


Para que a ingestão seja fisiológica, ela deve coincidir com um acesso de fome. Desse modo, pode-se desfrutar da sensação de encher o estômago, mitigar a fome e obter uma saciedade plena e normal.


Para facilitar a aprendizagem, não se deve comer nada durante os recessos da fome, porque essa ingestão não produziria a saciedade adequada e prazerosa. Convém, sempre, esperar um novo acesso para voltar a comer.


Apetite é uma modalidade especifica da fome, orientado a determinados alimentos em particular. O apetite nos indica o que é preferível comer e nos orienta na seleção do alimento de que o organismo necessita.


Temos uma habilidade (instintiva) para reconhecer os alimentos e diferenciá-los das substancias que não o são. Nossos sentidos nos ajudam a distinguir os alimentos que são apropriados, nutritivos e apetecíveis daqueles que podem ser prejudiciais ou que se encontram em mau estado.


Também possuímos a capacidade de perceber apetites específicos que nos impulsionam a ingerir os alimentos de que necessitamos: leite, ovos, carne, batatas, tomates, laranjas, etc. Quando se aprende a comer de maneira fisiológica, essa capacidade latente de perceber os apetites específicos é recuperada e fica mais apurada.


Aplacar a fome imediatamente é prazeroso e conduz à saciedade. E atender aos apetites específicos torna-se duplamente prazeroso porque se obtém saciedade e também deleite.


No entanto, o apetite pode ficar distorcido se não for satisfeito com precisão no tempo e na forma. Nesse caso, ele se expressa como desejos ou caprichos, que são maneiras especiais de compulsão, orientadas para alguns alimentos em particular.


Quando os alimentos refinados ou industrializados são consumidos regularmente, o apetite se perverte e as substancias artificiais são as escolhidas. Nesse caso, o que experimentamos é avidez pelos produtos refinados e industrializados contidos na comida, e não um apetite normal. Porque a avidez esconde completamente os apetites normais.


Compreender as diferenças entre fome e apetite é o primeiro passo para um emagrecimento saudável. Outro ponto importante é a reeducação alimentar, com diminuição dos alimentos industrializados. O alinhamento das boas escolhas alimentares juntamente com o respeito aos sinais da fome garantem um emagrecimento saudável e a longo prazo.


Suellen Gonçalves


REF: SANANES, L. Alimentação fisiológica: da alimentação civilizada ao vicio em alimentos artificiais ao restabelecimento da autorregulação da conduta alimentar, do metabolismo e do peso. São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora, 2009.


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